Continuando com a seqüência de posts com títulos polêmicos que comecei dizendo que “Comentário no código é para os fracos“, segue um curso básico de refactoring para quem é pobre (por que vou utilizar o eclipse que é uma excelente IDE e alem de tudo é “di grátis”), e preguiçoso, por que o eclipse vai fazer quase todo o trabalho para nós.
O ponto de partida vai ser o “exercício” que deixei no final do post sobre comentários no código.
Par quem não quiser ler todo o outro post, o código inicial vai ser este abaixo:
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 | package blog; import java.io.BufferedReader; import java.io.File; import java.io.FileNotFoundException; import java.io.FileReader; import java.io.FileWriter; import java.io.IOException; public class VeryBadlyNamedFile { private static final char[] asdfg = new char[] {'I', ' ', 'c', 'a', 'n', ' ', 'd', 'o', ' ', 'v', 'e', 'r', 'y', ' ', 'u', 'g', 'l', 'y', ' ', 'c', 'o', 'd', 'e'}; private String an; private BufferedReader rfsdw; private FileReader temp; public VeryBadlyNamedFile(String an, BufferedReader rfsdw, FileReader temp) { super(); this.an = an; this.rfsdw = rfsdw; this.temp = temp; } public void doIt() throws IOException { ctfiidne(); startDoing(); try { canIDoAnyThing(); } catch (RuntimeException yicdet) { nowReallyDoIt(); } } private void nowReallyDoIt() { firstDoTheOtherThing(); reallyDoItInternal(); } private void firstDoTheOtherThing() { rfsdw = new BufferedReader(temp); } private void reallyDoItInternal() { while (true) { try { imDoingIt(); } catch (Exception e) { break; } } } private void imDoingIt() throws Exception { String s = rfsdw.readLine(); if (s == null) throw new Exception("hahaha, I bet you did not understood the code"); System.out.println(s); } private void ctfiidne() throws IOException { File a = new File(an); if (!a.exists()) { FileWriter wrfedsd = new FileWriter(a); wrfedsd.write(asdfg); wrfedsd.close(); } } private void canIDoAnyThing() { if (new File(an).exists() && new File(an).canRead() && new File(an).canWrite()) throw new RuntimeException(); } private void startDoing() throws FileNotFoundException { File f = new File(an); temp = new FileReader(f); } } |
Antes de começar o refactoring, vamos definir o que é refactoring de uma forma bem simples:
Refactoring = Alterar partes do código de uma aplicação sem quebrar outras partes da aplicação que dependam daquele código.
Refactoring é uma forma de melhorar o design de um código existente enquanto ele continua funcionando.
Gosto muito de uma frase espetacular do Fowler, um dos papas do desenvolvimento ágil, que coloco abaixo:
“Any fool can write code that a computer can understand. Good programmers write code that humans can understand.”
-Martin Fowler et al, Refactoring: Improving the Design of Existing Code, 1999
Nos vamos utilizar os recursos de refactoring do Eclipse para transformar este lixo acima em alguma coisa legível, mantendo exatamente o mesmo comportamento, ou seja, sem quebrar o código que já funciona.
Para facilitar o trabalho, este tutorial (se é que pode ser chamado de tutorial), vai ser um simples “passo a passo” que eu utilizei para alterar este código no Eclipse, que é a minha segunda IDE preferida (a melhor de todas na minha opinião é o IntelliJ IDEA, mas se eu utilizasse este, não seria um tutorial para quem é pobre
)
Siga os passos abaixo:
1 | fileLineReader.useDelimiter("\n"); |
1 2 3 4 5 6 7 8 9 | Iterable<String> lineIterator = new Iterable<String>(){ @Override public Iterator<String> iterator() { return fileLineReader; } }; for(String line : lineIterator){ System.out.println(line); } |
1 2 3 4 5 6 7 | File file = new File(fileName); boolean fileExists = file.exists(); if (!fileExists) { FileWriter fileWriter = new FileWriter(file); fileWriter.write(conteudoPadraoParaNovoArquivo); fileWriter.close(); } |
Pronto, o Eclipse acabou de nos ajudar a ter um código menos porco na classe do post sobre comentários de código.
Claro que o código ainda não esta nenhum primor, mas a idéia deste post era mostrar que é possível utilizar recursos da IDE para facilitar o refactoring de código porco quando este for encontrado.
E não se iluda, se você estuda para melhorar o seu conhecimento sobre desenvolvimento e ser um profissional cada vez melhor, provavelmente o código que você escreveu a dois meses atrás você ache muito ruim hoje.
Só para finalizar o post, o seu código deve ter ficado parecido com este:
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 | package blog; import java.io.File; import java.io.FileNotFoundException; import java.io.FileWriter; import java.io.IOException; import java.util.Iterator; import java.util.Scanner; public class TextFileToScreenPrinter { private static final char[] standardContentForNewFiles = new char[] {'I', ' ', 'c', 'a', 'n', ' ', 'd', 'o', ' ', 'v', 'e', 'r', 'y', ' ', 'u', 'g', 'l', 'y', ' ', 'c', 'o', 'd', 'e'}; private String fileName; private Scanner fileLineReader; public TextFileToScreenPrinter(String fileName) { super(); this.fileName = fileName; } public void doIt() throws IOException { ensureFileAlreadyExists(); abortIfCanNotReadOrWriteFile(); printEachLineFromFileToConsole(); } private void printEachLineFromFileToConsole() throws FileNotFoundException { createLineReader(); forEachLineInTheFilePrintItOnTheScreen(); } private void createLineReader() throws FileNotFoundException { fileLineReader = new Scanner(new File(fileName)); fileLineReader.useDelimiter("\n"); } private void forEachLineInTheFilePrintItOnTheScreen() { Iterable<String> linesInTheFile = initializeLineIteratorFromLineReader(); for(String line : linesInTheFile){ System.out.println(line); } } private Iterable<String> initializeLineIteratorFromLineReader() { Iterable<String> lineIterator = new Iterable<String>(){ @Override public Iterator<String> iterator() { return fileLineReader; } }; return lineIterator; } private void ensureFileAlreadyExists() throws IOException { File file = new File(fileName); boolean fileExists = file.exists(); if (!fileExists) { FileWriter fileWriter = new FileWriter(file); fileWriter.write(standardContentForNewFiles); fileWriter.close(); } } private void abortIfCanNotReadOrWriteFile() { boolean fileExists = new File(fileName).exists(); boolean canReadTheFile = new File(fileName).canRead(); boolean canWriteToTheFile = new File(fileName).canWrite(); if (!fileExists && !canReadTheFile && !canWriteToTheFile) throw new RuntimeException(); } } |
E o atalho de teclado mais mágico de todos é:
COMMAND+SHIFT+L (CTRL+SHIFT+L em PCs) -> Lista os atalhos de teclado.
Acho que isto já esta bom para começar, se você for realmente um preguiçoso inteligente (o tipo que passa um pouco mais de tempo pensando para ter uma solução melhor agora e trabalhar menos no futuro), provavelmente você vai prestar atenção nos menus do eclipse e vai ir decorando as teclas de atalho com o tempo
PS.: Será que alguém vai ficar ofendido com o titulo deste post e vai ficar reclamando que não é pobre ou não é preguiçoso?
Tags: Eclipse, Java, livro2, refactoring
Provavelmente serei crucificado por causa deste post, mas se você se der ao trabalho de ler até o final, provavelmente vai concordar comigo que comentários no código são para os fracos, programador hardcore de verdade escreve código legível!
É exatamente isto que eu estou dizendo, por exemplo, o que faz o código abaixo?
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 | public String write(StringBuilder fle, StringBuffer con) { File f = new File(fle.toString()); FileReader fr = new FileReader(f); BufferedReader br = new BufferedReader(fr); String lin; while((lin=br.readLine())!=null){ con.append(lin).append("\n"); } return con.toString(); } |
Difícil? E este ainda é um código simples, mas vamos dar uma melhorada nele …
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 | public String read(StringBuilder fle, StringBuffer con) { //Opens the file with the name container in the fle parameter File f = new File(fle.toString()); //Create a file reader, then a buffered reader to make our work easier FileReader fr = new FileReader(f); BufferedReader br = new BufferedReader(fr); String lin; //Read each line of the file until it is null while((lin=br.readLine())!=null){ //Put the content read into the buffer pointed by the parameter "con" con.append(lin).append("\n"); } //The caller already have the content, because he created the buffer, but I'll return the string anyway return con.toString(); } |
Mais fácil certo? Bastou ler os comentários, mas o código continua um lixo.
Ou seja, esta é uma gambiarra utilizada por péssimos programadores para contornar a própria limitação de não conseguir escrever um código decente.
Então qual a solução que eu recomendo?
Vamos tentar reescrever este método então:
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 | public String readFileContents(File fileToRead) { boolean canReadFile = fileToRead.exists(); if(!canReadFile) return ""; StringBuilder buffer = new StringBuilder(); BufferedReader readerForFile = openBufferedReaderForFile(fileToRead); readFileContetIntoBuffer(buffer,readerForFile); closeFileReader(readerForFile); return buffer.toString(); } private BufferedReader openBufferedReaderForFile(File fileToRead){ return new BufferedReader(new FileReader(fileToRead)); } private void readFileContetIntoBuffer(buffer,readerForFile){ String line; while((line=readerForFile.readLine())!=null){ buffer.append(line).append("\n"); } } private void closeFileReader(readerForFile){ readerForFile.close(); } |
Agora se você prestar atenção no nome do método “readFileContents” já vai saber o que o método faz, Além disto, o código do método é quase legível em inglês. A leitura dele ficaria mais ou menos assim:
if not can read file, return null
open Buffered Reader For File: fileToRead
read File Contet Into Buffer: buffer, readerForFile
close File Reader: readerForFile
return buffer.toString();
Ou seja, qualquer um que entenda inglês, como qualquer desenvolvedor tem a obrigação de entender, vai ler o método como se fosse um comentário.
E eu já vi gente fazendo pior do que isto, o código tinha comentários, mas parecia com esta coisa ai em baixo:
1 2 3 4 5 | public String write(StringBuilder fle, StringBuffer con) { File f = new File(fle.toString()); FileReader fr = new FileReader(f); BufferedReader br = new BufferedReader(fr); String lin; while((lin=br.readLine())!=null){ con.append(lin).append("\n"); } return con.toString(); } |
Com certeza tinha muito menos linhas de código do que a minha versão ![]()
Mas não é uma tarefa fácil entender o código que uma criatura destas escreve
Claro que o exemplo que eu apresentei foi um exemplo bem simples, e que escrever código legível requer uma certa prática …
Então, vou fazer uma proposta:
Vou deixar um exemplo de código abaixo, e vocês tentam torna-lo mais legível. Em um ou dois dias eu posto a minha resposta aqui.
Quem quiser pode postar nos comentários o código que escreveu.
Para que o código fique colorido no blog, basta colocar dentro de uma tag <pre lang=”java” line=”1″> … </pre>
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 | package blog; import java.io.BufferedReader; import java.io.File; import java.io.FileNotFoundException; import java.io.FileReader; import java.io.FileWriter; import java.io.IOException; public class VeryBadlyNamedFile { private static final char[] asdfg = new char[] {'I', ' ', 'c', 'a', 'n', ' ', 'd', 'o', ' ', 'v', 'e', 'r', 'y', ' ', 'u', 'g', 'l', 'y', ' ', 'c', 'o', 'd', 'e'}; private String an; private BufferedReader rfsdw; private FileReader temp; public VeryBadlyNamedFile(String an, BufferedReader rfsdw, FileReader temp) { super(); this.an = an; this.rfsdw = rfsdw; this.temp = temp; } public void doIt() throws IOException { ctfiidne(); startDoing(); try { canIDoAnyThing(); } catch (RuntimeException yicdet) { nowReallyDoIt(); } } private void nowReallyDoIt() { firstDoTheOtherThing(); reallyDoItInternal(); } private void firstDoTheOtherThing() { rfsdw = new BufferedReader(temp); } private void reallyDoItInternal() { while (true) { try { imDoingIt(); } catch (Exception e) { break; } } } private void imDoingIt() throws Exception { String s = rfsdw.readLine(); if (s == null) throw new Exception("hahaha, I bet you did not understood the code"); System.out.println(s); } private void ctfiidne() throws IOException { File a = new File(an); if (!a.exists()) { FileWriter wrfedsd = new FileWriter(a); wrfedsd.write(asdfg); wrfedsd.close(); } } private void canIDoAnyThing() { if (new File(an).exists() && new File(an).canRead() && new File(an).canWrite()) throw new RuntimeException(); } private void startDoing() throws FileNotFoundException { File f = new File(an); temp = new FileReader(f); } } |
E agora um “main” só para executar o lixão acima.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 | package blog; import java.io.IOException; public class Main { public static void main(String[] args) throws IOException { new VeryBadlyNamedFile("c:\\anyFile.any",null,null).doIt(); } } |
Os exemplos estão em java, mas em qualquer linguagem os comentários para explicar o código servem para mascarar a incapacidade dos programadores escreverem código decente.
PS.: Só para constar, eu não acho de verdade que vocês não devem comentar o código, mas se vocês não escrevem código legível, ou escrevem código que realmente precisa de um comentário para outro programador entender, então vocês não aprenderam a programar ainda!
PS2.: só para constar, o código deste post foi inventado na hora, inspirado em coisas que ja vi em diversos lugares por ai, masescrevi ele direto no blog, então existe uma grande possibilidade de não compilar.
PS3.: acho que preciso de exemplos melhores, mas vocês devem ter entendido a idéia deste post
Tags: dicas, livro2, produtividade, refactoring